O caos do mito

 

humanidadeQuando me perguntam o que eu penso sobre a politica atual fico até com medo de responder. Me parece que o Brasil virou um grande recreio onde o bullying faz parte da brincadeira e todo mundo acha normal. Não posso mais sair para brincar no play sem ser atacada e hostilizada pelos que acreditam que os candidatos de ultra direita são a salvação para o caos político que baixou por aqui. O que as pessoas esquecem é que grande parte dessa bagunça foi provocada por quem bateu panela e desfilou com a camisa da seleção brasileira pelas ruas gritando ordens cheias de ódio, escondendo dedo mindinho e pedindo, pasmem, a volta dos militares ao poder. Pobres coitados que não se lembram (ou não sabem ainda) como é viver na ditadura sem direitos garantidos e tendo que cumprir ordens disfarçadas de democracia. Pode até falar que a presidenta era ruim de negócio, mas foi eleita, tinha que terminar o mandato e não ser expulsa porque um mimado resolveu “encher o saco”. Desde então o país está desgovernado e fora de ordem.

O que mais me assusta, e desde já peço desculpas antecipadas aos que se sentirem ofendidos em suas igrejas, é que a grande maioria desses políticos salvadores da pátria faz parte de grupos religiosos e grandes corporações cujos interesses são todos, menos os interesses da maioria. São as bancadas do boi, da bala e da bíblia. Só gente fina, elegante e sincera (sqn).

Esse grupo é a favor de radicalismos. Mas como viver em um mundo governado por radicais? Olha o Oriente Médio dando exemplo pra gente.  Não dá para concordar com a violência institucionalizada como parte do processo de se reinstaurar a ordem. E é isso que o país, desesperado, pede.

Entendo o desespero. Também temo pelo meu futuro (ainda que breve) e pelo futuro de meus filhos e netos. Mas não entendo como é possível voltar a viver com falta de liberdade. E muito menos como as circunstâncias atuais puderam as levar pessoas a considerar  um votar num cara com demência explícita, despreparo político e cheio de objetivos toscos sem embasamento moral para lhes representar. Por favor, me expliquem. E não. Ele não está brincando. O que ele fala é sério e é assim que ele pensa de verdade.

Outro dia me mandaram um texto tão frágil sobre isso que logo o primeiro parágrafo já me deu pena. Dizia mais ou menos assim: “porque os intelectuais estão contra o Bolsonaro?”. Ora, só pelo fato de os intelectuais estarem contra esse homem já deveria ser motivo o suficiente para você estar contra também.  Isso se partirmos da premissa que os intelectuais são pessoas que leem e estudam mais do que nós e, portanto, mais preparadas para opinar do ponto de vista global. É como uma opinião médica. O cara que estuda mais sabe mais. Não dá pra fazer consulta médica pelo Google. É mais ou menos isso que estamos fazendo com nossa saúde política quando acreditamos em tudo que nos é inventado pelo marketing político ensaiado à exaustão para nos extorquir moralmente. Isso sem mencionar as noticias falsas que a gente lê e se não tomar cuidado acredita e defende. Esse mundinho virtual é um perigo.

Tudo bem se você não gostar do Lula e achar que ele é um petralha esquerdista que roubou a Petrobrás e afundou o país. Consigo entender. Consigo até entender seu medo de que o Brasil vire uma Venezuela ou a ilha de Cuba. O Lula não é santo. Mas também não é o demônio. Entre mortos e feridos, botou comida na mesa das pessoas, deu oportunidades à quem nunca teve uma porta aberta, investiu na educação como ninguém, trouxe um pouco mais de igualdade social , fez o Brasil crescer, deixou as contas no azul e saiu com mais de 80% de aprovação. Não dá pra negar e desculpe se meu texto está te deixando com raiva. Mas é verdade. E não estou aqui pra defender o Lula ou te fazer gostar dele. Não é essa minha intenção, acredite. Estou aqui para tentar entender outra coisa. Lembra quando a gente discutia porque o candidato era aquele que”rouba mas faz”?  Pois é, bons tempos. Hoje a gente tem que convencer que o candidato pode não roubar seu dinheiro diretamente (presta atenção) mas rouba sua inteligencia, seus direitos, sua liberdade, suas ideias. O seu candidato tem sinais de psicopatia e insanidade (de acordo com o laudo do general que o acompanhou e o convidou a sair da corporação – e ainda assim ele se aposentou pelo exercito). Tem simpatia explicita por resolver os problemas com violência. Acha que direitos humanos é só pra defender estuprador. Diz que cultura é coisa de vagabundo e é bem capaz de acabar com as leis de incentivo. Ou botar o Frota como Ministro, o que é quase a mesma coisa.

Imagina como vai ser para quem é pobre, negro, bicha, nordestino, mulher, cabeludo, crossdressing, trans, diferentão ou qualquer outra coisa fora do padrão dito normal. Imagina que terror vai ser viver em um país (des)governado por um grupo formado por essa gente homofóbica, sexista, xenofóbica, radical, religiosa, extremista, violenta, atrasada. Imagina as leis que esse povo vai querer aprovar para cuidar da sua vida em nome da ordem, da família e dos bons costumes. Me dá até um calafrio de pensar nisso.

Imagina uma população armada seguindo o exemplo de um presidente que acredita que “bandido bom é bandido morto”.

Um cara que prega o ódio entre classes sociais,a meritocracia, que odeia as diferenças, que acredita que violência é a forma mais eficaz de se resolver as coisas, que acredita na cura gay e usa de sarcasmo para defender as ideologias que prega não tem condições de governar um país. Ele não é engraçado. Ele não está fazendo piada. Ele está falando sério.

 

 

 

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2 thoughts on “O caos do mito

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