Eu não sou a Rainha da Inglaterra.

Leadership with educationNão sou frequentadora assídua de Shopping Center. Não gosto da multidão andando por todos os lados, ver vitrines não me seduz e o barulho das praças de alimentação me deixa irritada.

Mas nem por isso deixo de ir quando preciso. E dos locais que eu frequento, o Iguatemi é minha última opção. Apesar de ser o mais tranquilo de todos, não cabe no meu bolso. As lojas de grife nunca estiveram na minha lista de compras, e provavelmente nunca estarão. Então quando preciso ir ao Iguatemi é por algum motivo pontual.

O cinema, por exemplo, é ponto de encontro dos críticos de cinema e somos convidados para filmes antes da estreia para dar nossa opinião escrita a respeito.

Ultimamente tenho me deslocado com certa frequência para aquelas bandas e uma das coisas que me chama atenção e muito me incomoda no Iguatemi não são os preços altos das lojas, mas a subserviência dos funcionários que, em sua maioria negros, nos tratam como reis e rainhas como se assim fossemos.

Sou branca e sei que tenho cara de mulher rica. Já me falaram isso mais de uma vez. Rica só de saúde, meu bem. Minhas contas eu pago todas com a maior dificuldade e ralo muito pra ganhar meu rico dinheirinho que insiste em acabar antes do final do mês. Então, economizar é uma prioridade para mim. Mesmo assim, quando estou no Iguatemi e vou, por exemplo, ao banheiro, sinto a funcionária preocupada em me tratar como seu eu fosse superior a ela e percebo uma desigualdade muito grande que nos separa. Ela está lá limpando o banheiro e eu frequentando o Shopping.  Talvez na cabeça dessa moça eu seja só mais uma consumidora gastando dinheiro pelos corredores sem me preocupar com as contas ao final do mês.  E me incomoda muito a maneira como ela sente que é inferior a mim porque, supostamente, tem menos dinheiro que eu. A mesma coisa com o pessoal do caixa do estacionamento, dos seguranças, dos lixeiros e todos os invisíveis que não percebemos ao nosso redor mas que me tratam como seu fosse a rainha da Inglaterra.

Deveríamos ser e nos sentir iguais uns perante os outros. Não acho legal essa subserviência implícita que nos cerca, os brancos e ricos, vindo dos negros e mais pobres em sua maioria pessoas que estão em posição de servir. Pode servir, mas sirva com dignidade de quem está trabalhando, assim como eu, para defender o prato de comida de todos os dias. Sirva com a cabeça erguida e orgulhosa pela pessoa que é. Não me olhe como seu eu fosse melhor, porque não sou e jamais serei.

Cumprimente e reverencie os trabalhadores que estão te servindo de alguma forma hoje. Vamos, aos poucos, acabar com essa cultura boba e injusta.

Sugestão de filme: “A Cor Púrpura”, um clássico do cinema onde a subserviência perde feio para o amor.

 

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